double-code

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A obra site-specific double-code redesenha a fachada do edifício do SESI-FIESP, projetado por Rino Levi, a partir do convite da Galeria Digital/ Verve Cultural, para integrar a Exposição que inaugura o ano Brasil- Alemanha, Connecting Cities/ Sensing the City, Conexão Cultural/ Panorama das Arte no Brasil e na Alemanha. double-code desconstrõe a simetria proposta pela arquitetura do edifício alterando assim a percepção do espaço. A visão fragmentada a partir da estrutura suspensa recria o ritmo diluindo as linhas do projeto modernista.

O desenho da luz radicaliza a integração do dentro com o fora, mesclando-os em um terceiro território, suspenso, imanente e descontínuo. double-code temporariamente ocupa este elemento e liquidifica o espaço, redesenha e marca um novo ritmo a partir da diferença. A obra double-code, projetada para a fachada do edifício do SESI, cria uma “dobra” neste território redimensionando-o e incluindo-o na lógica mediática e distópica da super-modernidade. Uma arquitetura de fluxos que transita sobre a fachada suspensa e permeável do edifício. Para este diálogo entre espaços, serão utilizadas referências de arquitetura e ícones de cidades, de São Paulo, Berlin e outras cidades alemãs, na construção desta nova camada imanente e temporária sobre a fachada.

O edifício de Rino Levi foi projetado para ser um landmark na Av. Paulista. “A poética do espaço — parafraseando o arquiteto italiano Bruno Zevi — foi alcançada através de uma “desintegração” da matéria — reconhecida na ‘dureza’ material do edifício — e sua ‘dissipação’ visual, primeiro com o sistema de pilotis (…)*.” De acordo com Charles Jencks, a arquitetura modernista trabalha sobre uma representação de um discurso político e aí vive sua contradição. O discurso moderno, inspirado por uma política de anulação da diferença, das imagens, das características locais e históricas e baseado na idéia de pureza, ou seja, monópode. Descontinuidade, a intermitência, a imanência, o descentramento, o deslocamento e a diffèrance (definida por Derrida), baseada em um significante sem significado, significante vazio, uma arquitetura constituída por um sistema de diferenças e auto-referida: double-code.

A obra double-code baseia-se na dupla referência já incorporada no edifício. Por um lado, a liberação da planta baixa por pilotis (com o intuito de ser uma praça pública, nunca construída por motivos de segurança), elementos onde a forma segue a função como os brises na fachada (cuja inclinação já tinha por função, no projeto do arquiteto, permitir maior iluminação em todos os andares) e a seriação de alguns elementos, assim como a retícula se alinham diretamente aos preceitos do Movimento Moderno. Ao mesmo tempo, o projeto arquitetônico cria uma referência forte visual às pirâmides, arquitetura histórica e simbólica. As pirâmides sempre estiveram ligadas ao poder, estabilidade e permanência e não foi a toa que esta forma, carregada de simbolismo, foi escolhida para este edifício. Mesmo reservando-se e mantendo-se na linha do Movimento Moderno, a dupla codificação (moderna/ pós-moderna) faz parte da arquitetura do edifício.

* “O edifício do Ministério da Educação e Saúde (1936-1945): museu “vivo” da arte moderna brasileira” – Roberto Segre, José Barki, José Kós e Naylor Vilas Boas, revista Vitruvius 069.02ano 06, fev 2006.

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2013_Galeria Digital do SESI – PANORAMA DAS ARTES DIGITAIS NO BRASIL E NA ALEMANHA CONNECTING CULTURES / SENSING THE CITY – São Paulo, Brasil
Public Art Lab. Berlin e Verve Cultural
apoio: Goethe Institute

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curadoria: Susa Pop (Public Art Lab Berlin) e Marília Pasculli (Verve Cultural)
agradecimento: Rafael Marchetti