um olhar sobre o japão

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texto crítico: Arlindo Machado

Os trabalhos de Rachel Rosalen realizados no Japão entre 2003 e 2004 oferecem uma rara oportunidade para se pensar as tensões entre identidade e outridade: trata-se de uma visão do Japão sob a óptica de uma estrangeira, mas o objetivo é menos entender o país do que buscar respostas às próprias inquietações. Da mesma forma como a aventura de Roland Barthes no Japão (L’empire des signes, Flammarion, 1980), trata-se de buscar um certo número de traços culturais identificados com esse país do oriente, para com eles vislumbrar “a possibilidade de uma diferença, de uma mutação, de uma revolução na propriedade dos sistemas simbólicos.” Sem abrir mão dos temas e estilos que já marcavam seu trabalho anterior (o conflito entre corpo e arquitetura, ou entre desejo e loucura, o erotismo como política, a poesia como forma audiovisual), a artista encontra no Japão um repertório amplo de novas questões, que vão determinar desdobramentos inesperados no seu trabalho.
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