black rain # an anti-war project


140 arquivos de vídeo – 4 projetores – 8 sensores infra-vermelhos – 8 caixas de som – 1 computador – 4 DVD players – flash

Black Rain é uma vídeo-instalação interativa que inclui uma paisagem sonora processada em tempo real. A interatividade do projeto desloca o público espectador a uma posição ativa. O jogo produzido neste deslocamento público passivo/publico ativo reverte-se em uma reflexão sobre a guerra e nossa posição nesse tabuleiro de xadrez. A relação entre a imagem projetada, imagem reflectida e quem a ativa coloca três vetores de tensão no espaço, necessários para criar o que Eisenstein definia como dinamização da imagem. O quarto elemento é o próprio espaço.

A crueldade na guerra não tem limites. Quando o piloto Enola Gay declara que sua missão foi cumprida com sucesso, a destruição se transforma em paradigma. Homens contra as atrocidades dos homens nos campos de concentração e sua perversidade insalubre são abordadas por Bataille: “A crueldade é uma das formas de violência organizada”. Através de uma paisagem audiovisual arquitetonicamente construída, Black Rain abre a discussão sobre guerra, transgressão, banalidade e mediatização do mal, crueldade e violência.

Black Rain utiliza imagens de documentais de Hiroshima, explosões, escrituras japonesas e de performances gravadas em estúdio com sete atores trabalhando com referência a textos clássicos de teatro Noh. Em muitas destas peças as personagens morrem e não sabem que morreram, seguem repetindo infinitamente ações que realizavam quando estavam vivas. Em Black Rain, a guerra não oferece salvação e as personagens ajudam-se neste sofrimento. Há uma negação da aceitação do que lhes aconteceu, que lhes atribui dignidade. A distorção e o derretimento não aparecem nos corpos, mas estão deslocados para o áudio da obra, resultante dos efeitos da intervenção de programação algorítmica que distorcem o som do violoncelo.

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2005 _ INSTITUTO TOMIE OHTAKE, SÃO PAULO, BRASIL

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produção _ 2005, São Paulo, Brasil, Hiroshima, Japão

conceito, direção geral de RACHEL ROSALEN
produção: FUNDAÇÃO JAPÃO, INSTITUTO TOMIE OHTAKE
curador: AGNALDO FARIAS
atores: ÁDEGA OLMOS, ANA LUCIA GUIMARÃES, CIÇA ONO, EMILIE SUGAI, LEONA CAVALLI, ONDINA CASTILHO, PASCOAL DA CONCEIÇÃO, TOSHI TANAKA
violoncelo solo: DIMOS GOUDAROULIS
live electronics: IGNÁCIO DE CAMPOS
estúdio/ luz: GIACOMO FAVRETTO
edição: RACHEL ROSALEN
programação em MAX-MSP: IGNÁCIO DE CAMPOS
interface: OSCAR RODRIGUES, RACHEL ROSALEN
autoração de DVD: LUIS TIBIRIÇA
figurinos: SAMUEL CIRNANSCK
tradução para o inglês: ISABEL MURAT BULBRIDGE
apoio: COVISERV, KITANI LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS